4.11.12

Jeito Caseiro é destaque no Equador

Projeto Jeito Caseiro de São Francisco de Assis é destaque brasileiro no Seminário Internacional Doctoral Comercialización Campesina Y Soberanía Alimentaria no Equador


O  professor do Instituto Federal Farroupilha de São Vicente do Sul, Gustavo Pinto da Silva, atualmente afastado para curso de doutoramento na Universidade Federal de Santa Maria, participou nos dias 16 a 17 de outubro de 2012 em Guayaquil – Equador do Seminário Internacional Doctoral Comercialización Campesina Y Soberanía Alimentaria. O evento foi organizado por Agrocampus Ouest (França), Escuela Politécnica del Litoral (Ecuador), Sistema de Investigación de la Problemática Agraria del Ecuador,  y Agrónomos y Veterinarios sin Fronteras e o Projeto Mercados Campesinos, financiado pela União Européia. O objetivo era de estabelecer um espaço de intercambio e debate das experiências de pesquisa sobre comercialização na agricultura familiar e que permitam consolidar experiências orientadas para uma perspectiva de segurança e soberania alimentar.

O artigo do doutorando foi o único do Brasil a ser aprovado para ser apresentado no evento. A organização do seminário esteve centrada em torno de três eixos, sendo que o trabalho intitulado “A dinâmica da Política Pública na Construção social dos mercados para a Agricultura Familiar: uma leitura a partir da Sociologia Econômica”, faz parte do eixo temático Inovações nas políticas públicas para a consolidação de mercados campesinos. O trabalho fazia uma análise dos avanços e limites do Programa Jeito Caseiro, desenvolvido no município de São Francisco de Assis-RS, onde 19 agroindústrias estão sendo consolidadas a partir de um conjunto de políticas públicas, lideradas pela Prefeitura Municipal e outras organizações locais, que visam fortalecer as iniciativas de agricultores familiares. A experiência chama a atenção pela perspectiva de desenvolvimento territorial, bem como por um conjunto de ações articuladas em prol de tirar do anonimato e fortalecer experiencias que envolvem o público que mais causa preocupação em termos de desenvolvimento Rural. Mais do que uma ação de desenvolvimento tem pressupostos e princípios que a credenciam como uma política pública inovadora, com capacidade de ser aprimorada e aplicada em outras realidades no Brasil e fora dele. Também foram co-autores dessa investigação os Professores Hugo Aníbal Gonzáles Vela, Paulo Roberto Cardoso da Silveira e o Técnico da Prefeitura Municipal de São Francisco de Assis, Antonio Érico Viero Ben.
Segundo Gustavo, "a iniciativa é um exemplo para os demais municípios da região, principalmente num período em que as administrações municipais estão sendo repensadas, pós eleições". Segundo ele, "isso prova que desenvolvimento rural e desenvolvimento territorial não é só uma questão de recursos, mas também de vontade e de articulação política.  Quem está de parabéns são os envolvidos com a experiência, agricultores, Secretária de Agricultura, Prefeito, extensionistas locais,  e tantos outros que decidiram em vez de esperar pacientemente os resultados da mudança, fazer por si mesmos. Estou apenas contando essa história e buscando os resultados para as ciências sociais e para que essa experiência exitosa possa propiciar aprendizados para novas experiências. Os verdadeiros precursores são os Assisenses".

No dia 18 de outubro, Gustavo também proferiu uma palestra no Seminário "Otros Mercados para la comercialización Campesinas y Soberanía Alimentaría", organizado pelo SIPAE (Sistema de Investigación sobre la Problemática Agrária no Equador), com a temática "Políticas Públicas na Construção Social dos mercados para a Agricultura Familiar" Estiveram presentes mais de 100 líderes de organizações, convidados de Organizações Não Governamentais, Fundações, Governo do Equador e público em geral daquele país. A experiência surtiu uma série de interesses naquele país, com solicitações de auxílios para constituição de políticas públicas semelhantes para a realidade Equatoriana.

O estudo da experiência do Programa Jeito Caseiro estabelece uma série de pressupostos capazes de dar base para discutir tanto o fortalecimento das agroindústrias como outros projetos de desenvolvimento regional. Além disso define e estabelece uma necessidade de as Prefeituras Municipais exercerem um papel de concertação e de habilidade social, principalmente para conformar marcos legais, para dar sustentação para o desenvolvimento rural. Por muitos anos, Prefeituras insistentemente tem se dedicado a programas e projetos assistencialistas, sem se dar conta de que avançamos muito pouco no propósito da promoção de um desenvolvimento rural que seja mais sustentável, capaz de incluir pessoas e gerar emprego e renda no campo. O desafio é ir além, investir em capacidade técnica e pessoas comprometidas com ações que possam se complementar, tendo em vista
atingir um resultado desejado.

Fotos/Colaboração: Prof. Gustavo Pinto.








Prof. Gustavo, durante evento

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