5.12.11

Finalmente, Carlos Lupi caiu e Dilma ganha mais credibilidade junto aos brasileiros

O pedido de demissão entregue pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, na noite de domingo, causou a sétima queda no governo Dilma Rousseff em 338 dias. A média no mandato da presidente atinge a surpreendente marca de uma baixa no Planalto a cada 48 dias.

Para o brasilianista e professor de Ciência Política da USP, Matthew Taylor, o mais preocupante é o fato de Dilma aparentemente não ter tomado muitas medidas preventivas contra a corrupção.

— Não se vê nenhuma tentativa de olhar preventivamente outros ministérios nem se vê outras ações além das realizadas pela Controladoria-Geral da União. A visão de que a presidente está agindo de maneira reativa e não proativa está disseminada no Exterior — afirma Taylor.

Já o cientista político Bolívar Lamounier afirma que, além da suspensão por 30 dias dos pagamentos a ONGs, não há medidas à vista.

— Não vejo a presidente oferecer soluções estruturais e institucionais. Ela loteou o ministério, entregou as pastas aos partidos. Não pode ser assim — diz o co-autor de "A Classe Média Brasileira".

Depois de desafiar a Comissão de Ética, ganhar tempo e dizer que faria uma “análise objetiva” sobre o caso, Dilma chegou à conclusão de que não seria possível segurar Lupi até a reforma ministerial, prevista para ocorrer entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro de 2012.

Com a queda do ministro, o PDT espera reverter a imagem de partido conivente com a corrupção.

— Temos que lutar para tirar essa imagem de que o partido teve envolvimento em um esquema de arrecadação para pagar campanhas eleitorais — disse o secretário-geral do PDT, Manoel Dias.

A presidente não quer que o PDT indique um novo ministro agora, pois pretende fazer um rodízio na partilha dos cargos e tirar o Trabalho do controle pedetista, na reforma da equipe.

Diante do impasse, a tendência é de que o atual secretário executivo, Paulo Roberto dos Santos Pinto, assuma o comando do ministério, interinamente, até o início do ano que vem. Ele é filiado ao PDT, mas não tem aval do partido e muito menos de Lupi.

Sem ceder às pressões até agora, Dilma analisa a possibilidade de resgatar um desenho antigo da Esplanada e fundir Trabalho com Previdência. Nesse cenário, o PDT poderia ficar com o Ministério da Agricultura, hoje comandado pelo PMDB. O nome mais cotado para o posto, nesse caso, seria o do ex-senador Osmar Dias (PDT-PR), que também não tem chancela oficial do partido.

Fonte: clicRBS/ZH

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